A fajã teve o seu primeiro acesso através de um carreiro que seguia do Portal, passando pela fajã da Fragueira. Mais tarde teve um caminho que apenas passava um carro de bois e tinha a sua entrada na fajã pelo lado poente. Nos finais do séc. XX, na década de 50, foi construída uma nova estrada, seguindo da Ermida de São Sebastião até à Ermida do Portal.

    A água era retirada dos dois poços de baixa-mar existentes na fajã ou nos vários chafarizes. A fajã desde muito cedo teve cemitério, não sendo necessário transportar os cadáveres até à Calheta.

    Os bordados à mão e a tecelagem são um dos atrativos da fajã. As colchas de ponto alto, são laboradas em teares de madeira, utilizando técnicas ancestrais. Apresentam um colorido intenso, onde o vermelho e o amarelo prevalecem. Estas são preenchidas com um mosaico de quadrados e rectângulos que cobre todo o tecido. São feitas a partir de lã, para em tempos passados suportar o frio no Inverno. Hoje em dia, são muito famosas além-fronteiras.

    O cultivo do inhame nesta fajã é muito comum. Sendo conhecidos como o ex-libris desta fajã e são plantados na zona do “rio”. Antigamente, podia-se encontrar os melhores pêssegos da ilha, aos quais não dava bicho. Vendiam para a Calheta, Velas e até para a vizinha ilha Terceira.

Pensa-se que o café terá chegado a São jorge por algum emigrante quando regressou do Brasil, possivelmente nos fins do séc. XVIII, sendo este de qualidade "arábica".

      O café plantado nesta fajã é em pequena escala, mas de qualidade superior. A população local tem vários pés de café nos seus quintais e usam-no para consumo próprio. Fazem todo o processo manual para a sua final degustação. Começam pela sua apanha, maturação e descasque. Posteriormente, a sua torrefação e moagem, que são feitas em quantidades reduzidas, para que seja consumido no mais curto espaço de tempo, para assim manter todo o seu aroma e sabor.

      Esta fajã chegou a ter uma escola primária, duas mercearias com taberna ao mesmo tempo, guarda-fiscal, posto de correio e telefone público.

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