A fajã nunca teve luz elétrica iluminando-se a partir de candeeiros de petróleo ou de azeite de peixe. Normalmente, os candeeiros eram pouco utilizados porque as pessoas recolhiam-se ao pôr-do-sol e levantavam-se ao amanhecer. Apenas quando as mulheres faziam serão a costurar, se acendia o candeeiro.

    Só havia necessidade de sair da fajã para virem à Calheta ou ao Topo comprar petróleo, açúcar e sal, ir à costureira fazer um fato para alguma ocasião especial, vender algum produto ou quando morria alguém, comprar o caixão. Todos os produtos que eram levados para a fajã ou para as vilas, eram carregados às costas pelos homens ou à cabeça das mulheres, por difíceis trilhos

    As pessoas do Sanguinhal e fajãs vizinhas iam à missa, todos os domingos, a pé ou de burro, à Caldeira de Santo Cristo, ou ao Topo, porque a ermida de Entre Ribeiras apenas celebrava missa duas vezes ao ano. Assim, cada família tinha o seu altar em casa.

    O leite produzido pelo gado da fajã, era levado até ao posto de leite na Fajã Redonda, para o leite ser desnatado e posteriormente levado até à fábrica da Serra, pelos funcionários, para o fabrico de manteiga, sendo esta para venda. Apenas mais tarde, a referida fábrica começou a fabricar queijo.

    Esta fajã era conhecida pela grande produção de vinho e aguardente. E como tal, os seus produtores vendiam estes produtos para fora da fajã, com enúmeros compradores, até para levar para fora da ilha. A fruta mais abundante era o figo, de uma qualidade fora do comum. O inhame também existia em grande quantidade.

    Quando alguém adoecia, era transportado para fora da fajã, procurando cuidados médicos. Assim, os homens sentavam a pessoa enferma numa cadeira, devidamente atada, e transportavam-na às costas, fajã acima, até ao Topo. Só se recorria ao médico (Dr. Malheiro) em caso de muita urgência ou quando algum parto não corria de forma normal. Quando alguém falecia, um familiar vinha dar parte à Calheta ou ao Topo, e comprar o caixão. No entanto, na fajã, os homens carregavam o cadáver a “pau e corda” numa tábua, às costas, até à Caldeira de Cima, passavam o cadáver para o caixão e sepultavam-no no cemitério da fajã da Caldeira.

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