Existiam três trilhos de acesso à fajã: o caminho das Pontas, o caminho do Mero e o caminho do “Salto do Mosquito”. Havia ainda um pequeno trilho que passava pela fajã da Neca até à fajã dos Cubres.

    A pesca estava bastante presente na vida dos habitantes, e quando um barco chegava do mar, a família reunia-se no cais e servia-se café aos pescadores. Varava-se a embarcação e oferecia-se um peixe a cada pessoa que tinha ajudado nesta tarefa, um “peixe de varares”. À noite, a família e os vizinhos juntavam-se, trazia-se vinho, dançava-se e comia-se um caldo de peixe.

    Nos meses de inverno era hábito trazer-se algumas cabeças de gado para pastoreio na fajã. O leite era utilizado para fazer queijo fresco e curado, muito utilizado na alimentação da população. Havia quem tinha uma prensa de fazer queijo, e cada pessoa levava uma certa quantidade de leite, que depois era trocado pelo equivalente em quilos de queijo.

    Nos tempos livres as pessoas juntavam-se para jogar às cartas, as mulheres bordavam e contavam-se contos às crianças sobre feiticeiras maldosas que mordiam os meninos. Faziam-se bailes regionais com grandes tocadores e cantadores, e as pessoas viviam alegres e felizes naquela fajã que hoje em dia é visitada por muitos.

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