A fajã dos Bodes e a sua vizinha fajã dos Vimes, no século XIX tinham cerca de 700 pessoas. Este número foi decrescendo com o passar do tempo. A fajã continha dois poços de baixa-mar, onde a população ia retirar água para consumo doméstico. Iluminavam-se a partir de uma candeia, alimentada por petróleo, azeite de peixe (albafar) ou de baleia.

    Foi em tempos uma fajã conhecida pelos seus pescadores afamados. Criavam gado, porcos, galinhas e cultivavam de tudo. A vinha era conhecida pela sua qualidade, e era vendida para fora da fajã. Moíam o seu milho, de inverno nos dois moinhos de água (azenhas) que existiam na fajã, um na ribeira do Cedro e outro na ribeira dos Bodes. De verão, com a ajuda de bois, moíam na atafona.

    Iam à missa na fajã dos Vimes, todos os domingos, à celebração da manhã ou à da tarde. Vestiam a roupa de “domingo”, punham os sapatos às costas e lá iam descalços até ao chafariz da fajã vizinha. Lavavam os pés, enxugavam com um farrapo, calçavam os sapatos e iam para a missa. Quando terminava, descalçavam-se e regressavam até à sua fajã.

       No Carnaval, juntavam-se em casa dos vizinhos, um dia para casa de um, outro dia para casa de outro. Nestes serões tocavam-se violas, cantava-se, bailava-se e mascaravam-se (os homens fantasiavam-se de mulheres). As crianças levavam um espeto (cana) a todas as portas a pedir filhoses, e quem as desse enfiavam-nas na cana. Durante o dia, rapariga que saísse à rua, ficava pintada de branco, pois os rapazes atiravam-lhes farinha.

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